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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

De profundis





Percalços descalços da memória
alterados pelo medo e pela culpa.
Pesadelos que sonhamos acordados.

Consciência perturbada.

A hora está marcada.
A rota está traçada.
Não estarei presente
no dia do juízo final.


“De profundis clamavi ad te, Domine."

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Cisco




Espreite
a forma como

o  v e n t o  l e v a  a   p o e i r a...

e

como

ela

fica

mais

l e v e...

antes de se entregar aos teus olhos desatentos.

sábado, 24 de agosto de 2013

A palavra que habito


Eu escrevo um poema e peço que ele me ampare.
Peço que ele me suporte.
Peço que seja meu par.
Peço que me leve.
Peço
que
ele
me
leve.
Peço que me faça morrer no mundo.
Peço que ele me faça existir em forma de palavras.
Eu escrevo um poema e peço que ele me responda.
Peço que seja a parte arrancada do meu coração.


domingo, 18 de agosto de 2013

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

In vitro



O veneno corre
nas veias,
nas lembranças.

O veneno escorre
dos lábios,
dos olhos.

O veneno mata
o peito,
a alma.


E torna-se antídoto
para uma Julieta sem Romeu.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Pirotrágico



Ao riscar o fósforo ele traçou o destino.
O destino do corpo dela.
Ao fechar a porta ele trancou os gritos.
Os gritos do corpo dela.
Ao arregalar os olhos ele aumentou as chamas.
As chamas do corpo dela.
Ao soluçar ele assoprou as cinzas.
As cinzas do corpo dela.
Ao enxugar as lágrimas ele escondeu as pistas.
As pistas do corpo dela.
Ao dormir ele esfriou a cena.
A cena do corpo dela.
Ao acordar deparou-se com o drama.
O drama do corpo dela.
Ao se despedir do corpo ele amaldiçoou o seu nome.
O seu nome no corpo dela: Prometheus.

sábado, 13 de julho de 2013

Que o vento seja leve


A dor me tomou.
A dor líquida.
Daquela que liquida.
E se mostra sólida.
E te deixa só.
E te faz pó
à mercê do vento.
E te faz de experimento:
um ferido catavento.
Cata-vento.
Cata, vento...







"Porque não é pela via da linguagem que eu hei de
transmitir o que em mim existe. O que existe em mim não há palavra que o diga"

Antoine de Saint-Exupéry