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domingo, 26 de maio de 2013

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Abatido


Era uma vez vez um coração apressado. Ontem acelerava o peito. Hoje, marca-passo.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Os Outros



Hoje me veio em mente um filme: “Os outros” (The Others). Suspense de 2001 ambientado em um mundo bélico e sombrio. Uma mãe se muda com os filhos para uma mansão isolada. Hábitos doentios são criados. Portas (que não são as da percepção) não são abertas. A luz do sol se torna uma ameaça. 

Voltando para o nosso também ficcional mundo, permito-me lançar a pergunta: quem seriam, de fato, Os Outros?

Os Outros são aqueles que julgamos. São os amores platônicos que idealizamos. Os Outros não somos nós. Não são pluralizados. Não são conjugados: são julgados “in absentia” como traduz o termo latino (usualmente empregado com jurisprudência). Os Outros são representações que criamos mentalmente. São o nosso "desconhecimento".

Mas continuo a indagar quem seriam Os Outros. Será que um dia os conheceremos? Seriam Os Outros a personificação de mentiras que nos cegam? No supracitado filme, Os Outros eram mortos que ainda viviam. No mundo real, Os Outros são aqueles que excluímos com a pretensa ilusão de uma objetiva proteção. Os Outros são o que não podemos ser. Os Outros são aqueles que não temem a ausência.

 Como já foi dito por Sartre, "O inferno são os outros".

terça-feira, 9 de abril de 2013

Insight





Fechou a porta e sentiu a presença de um vulto. Aproveitou o momento para arriscar uma intimidade. Ao tocar o vazio, viu que o vulto não era um outro. Era o mesmo que outrora fora chamado de reflexo. Apagou a luz. Dormiu uniformemente.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Sinas


Calculemos assim:
Dividimos o teu não.
Assassinas o meu sim.
Ao sub(trair), somamos.
Somos cúmplices.
Quo(cientes) da operação.







sábado, 23 de fevereiro de 2013

Braços que se estendiam



"Teus ombros suportam o mundo e
 ele não pesa mais do que a mão de uma criança"
 Carlos Drummond de Andrade



No começo era simples. Os braços se estendiam às possibilidades que lhes eram oferecidas. E ficou sendo assim por um longo tempo. Até chegar o dia em que os braços resolveram se estender uns aos outros. Os braços resolveram se abraçar. Anseio pelo alheio, talvez. Em alguns casos, uma minoria braçal conseguiu forjar um toque leve, tímido. Já em outros, há quem diga que certos braços foram com muita sede ao pote, sufocaram-se. Eu ouvi dizer que havia um braço que ao tocar alguém mudava lindamente de forma. Também ouvi rumores de que outros perdiam totalmente a forma; tornavam-se amorfos. Não posso atestar qual a veracidade dos fatos, vários foram os que me contaram estórias de braços que se estendiam: cada um me apresentou uma versão diferente. Cada braço era um braço diferente. Às vezes, eram pares. Em outras, formavam pares ou até mesmo díspares. Na estória de Machado de Assis os braços seduziam e tinham nome: Severina.  Na de Michelangelo, os braços se estendiam languidamente sob a veste de um metonímico nascimento. Na da biologia, os braços são membros superiores: inferiorizam os que os locomovem. Hoje eu deixo aqui a minha versão. Os braços que se encontram pendidos ao lado deste texto estenderam-se em demasia. Cansaram-se. Ontem eles doíam pulsantes. Hoje, rígidos, carimbam de vermelho uma nova versão de uma velha estória.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Noturna


No meio da noite ela se deita.
Ao almejar o escuro, sonha.
O luar a consola à espreita.
Os seu medos se deitam na fronha.

Soturna, ela nega o próprio sono.
Noturna, faz dele o seu único dono.



"Porque não é pela via da linguagem que eu hei de
transmitir o que em mim existe. O que existe em mim não há palavra que o diga"

Antoine de Saint-Exupéry