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terça-feira, 21 de outubro de 2014

O suor, as lágrimas e as gotas de chuva



Descem.
Escorrem.

Quem garante que
as águas de chuva
não são lágrimas
 a descer do céu?

E se por um tormento
o suor precisasse
de um rosto para fazer
desse o seu réu?

Descem.
Escorrem.

As gotas de chuva
são um choro suado
da terra.

Hidrantes da matriz
onde, um dia,
todas as águas
se encontrarão.

Sem escoamentos.



sexta-feira, 20 de junho de 2014

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Variáveis constantes




Eu silencio.
Calo.
Em intervalos não-verbais
Com o olhar eu falo.

Eu silencio.
Paro.
Em cordas não-vocais
Eu me apoio, eu me amparo.


Eu silencio.
Grito.
Em um eco centrípeto
Eu lavro o meu escrito.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Três vezes matéria



"Não te desamparem a benignidade e a fidelidade;
ata-as ao teu pescoço;
 escreve-as na tábua do teu coração."
Provérbios 3:3

Estranha. Demasiado estranha. Ex-tranha. Essa foi a tríade que se moldou em forma de pensamentos. Foi também a legenda de um reflexo que se dividiu em três lampejos. Três foram os dias em que ela se isolou do mundo. Tridimensional foi a facada que ela desferiu em seu próprio peito. Bem no coração: o cerne da questão. Três foram os póstumos toques na campainha. Três foram os murros na porta. Três foram os passos que ele deu de distância para conseguir impulso. Três foram as tentativas de arrombamento. Três foram os gritos que ele soltou ao se agarrar ao corpo. Três foram as lágrimas que ele deixou cair em seu rosto.  Três foram os participantes do triângulo amoroso. O terceiro foi o número primo: amante incestuoso. Ela foi a estranha ponta de uma tríade nada equilibrada. Até hoje não se sabe o paradeiro do seu ex-traído-marido. Tricolor e em caixa alta foi a forma como a tragédia estampou os jornais. Três foram os dias em que se falou no assunto. Três foram os minutos gastos por quem leu a notícia. Três foram os segundos entre o embolar do papel e o arremesso ao cesto de lixo.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Hip.no.si.a




Antes fosse o balançar sincronizado
de um cordão e um pingente.

Antes fosse o piscar esperançoso
de um olhar dormente.

Antes fosse a alma a velar um sono
 sonâmbulo, doente.

Antes fosse o sonho a se perpetuar
na gente.

Só.
 Só mente. 
Somente.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Um flash


Bebidas. Cigarros. Frio. Uma avenida falsamente iluminada por lâmpadas e isqueiros. Um pisca-pisca colorido personifica a efemeridade das coisas. Traz a lume uma falsa realidade colorida. Ela se encontra distante, elevada e escondida em meio a nuvens turvas. Mas ao se revelar, ilumina a escuridão de um dia encoberto pela noite. Ela que muda de forma. Ela que se esconde. Ela que em mim se espelha. Ela que me ilumina. Ela, a lua.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

De profundis





Percalços descalços da memória
alterados pelo medo e pela culpa.
Pesadelos que sonhamos acordados.

Consciência perturbada.

A hora está marcada.
A rota está traçada.
Não estarei presente
no dia do juízo final.


“De profundis clamavi ad te, Domine."

"Porque não é pela via da linguagem que eu hei de
transmitir o que em mim existe. O que existe em mim não há palavra que o diga"

Antoine de Saint-Exupéry