A carne fria.
O espírito quente.
Anestesiada a angústia.
O olhar dormente.
A paisagem cinza.
O caminho escuro.
Acaracia-me, ó brisa.
Guia-me para o que procuro.
Minhas mãos tremem.
O fervor é interno.
Meus medos procuram
o calor deste inverno.
- Ela morreu.
- De quê?
- De amor.
- Por quem?
- Por mim.
- Não acredito.
- Eu juro.
- Amor não mata.
- Mata e é viral. O médico me deu três dias de vida.
Yo conozco tus ojos.
Recuerdo tus besos.
Me pierdo a soñar.
Despertando el deseo.
Solo tu eres la noche de mi vida.
Revisitei o passado. Surpreso, ele abriu-me a porta. Entrei ensaiando frios passos. Reconheci a mobília. Temi a nova decoração. Sentei-me querendo deitar-me. Respirei, suspirei. Forasteira, recuei para a entrada: ela não mais existia. Fui embora pela porta dos fundos. O passado não me pediu para ficar e nem me acompanhou até a saída. Despedi-me. Ele não me respondeu. Chorei sem olhar para trás. Consagrei o rito.
Nem sempre o mesmo gosto.
Nem sempre o olhar exposto.
Nem sempre se reconhece o gesto.
Nem sempre se aceita o resto.
Nem sempre se vive o presente.
Nem sempre o medo é recorrente.
Nem sempre se aceita e verdade.
Nem sempre se vive na sobriedade.
Nem sempre se encontra a rota para o País das Maravilhas.
"Porque não é pela via da linguagem que eu hei de
transmitir o que em mim existe. O que existe em mim não há palavra que o diga"
Antoine de Saint-Exupéry